A arte do "entregar-se"
Você que começa a ler essas linhas que se vão escrevendo se pergunta:
- Existe arte ao "entregar-se"? Que diabo é isso????
Eu não o responderei, caberá a você conseguir tirar das entrelinhas dessas linhas a resposta que mais o convier.
Eu digo o seguinte: O fato de entregar-se não pode ser realizado por si só. Há coisas ocultas sob o véu da dissimulação. Quem entrega, entrega alguma coisa, e quem se entrega, não entrega apenas alguma coisa, mas entrega si próprio a algo que não seja si próprio. Não pense que fui redundante, fui antes insistente, pois só assim poderás entender a profundidade do que estou a dizer. Aquele que se entrega, perde o controle de si, que está no outro. E o outro, antes mero espectador, é promovido a dominador. Essa é a ordem natural das coisas, não queiras contestar o livro sagrado das espécies. Sei que deve estar intrigado, se perguntando que raio de arte tem essa história toda... Não se exaspere, tolo leitor. A arte surge justamente aí. Fazer com que o outro sinta tê-lo, dominá-lo, é das artes a de mais difícil empresa. Entregar-se ao outro ao ponto que ele te receba satisfeito e regozijado, e guardar um pouco de si em si, é tarefa similar aos 12 trabalhos, árdua e cruel, portanto de grande valia para com a moral individual. Dessa forma, agrada-se às duas partes, e ganham-se em igual valor.
2 comentários:
Texto mesquinho de uma autora mesquinha...
Mas...
Vamos deixar de mesquinharia e comentar? rsrs
"...é a arte - não a moral... a atividade propriamente metafísica do homem... a existência do mundo só se justifica como fenômeno estético."
retirado e adaptado do livro O Nascimento da Tragédia de Friedrich Nietzsche
Não existe mesquinharia quando há entrega.
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